
(Retrato de uma mente atordoada pelo
Mal de alzheimer)
Autora: Ana Paschoal
Cadê os meus filhos,o homem que eu amei ?
Onde estou, que lugar é esse ?
Por que fizeram que eu esquecesse?
Tudo o que eu sabia, eu não sei !
Meus pais, as noites , as manhãs?
Perco aos poucos a minha lucidez!
Eu quero ir pra minha casa,
abrir e trancar meu portão
quero cuidar do meu jardim
esse não é o meu chão...
Quem tirou tudo de mim?
Vivo feito criança,
não tenho lembrança
se cresci um dia...
Não quero essa roupa,
muito menos essa louca
como companhia!
Minha consciência, as reminiscências...
Acertos, desacertos...
Não sei o tempo lá fora,
ano, dia, mês ou hora...
Sinto tanta fome, nem sei o meu nome...
Qual a minha história?
O material, o meu capital ...
Quem está levando a minha memória?
Não sou eu naquele espelho,
olho e não me vejo...
Tanta gente e eu tão só!...
Falo coisas sem sentido
meu olhar sempre perdido,
tudo alheio ao meu redor!
Eu que tinha tanta fé,
eu que rezava tanto!
Hoje não sei quem sou eu,
nem sei mais quem é deus
onde andam os meus santos?
Vegeto nesse mal progressivo,
mas não roubaram o meu sorriso
nem a luz do meu olhar!
A música é minha alegria
assim vou vivendo os meus dias
perguntas ficam no ar...
Atordoada, dispersa, aflita,
sentindo que já não sinto a vida
minha alma de artista, quer gritar que não!
Começo a cantar como antigamente
volto a despertar minha voz potente
que ainda guarda um fio de canção!
(Falando pela mãe da auotra Maria Iolanda Barbosa de Lima)
